quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quinta diferente

Hoje eu acordei com vontade de mudar. Mudar algumas coisas em minha vida, aperfeiçoar outras. Mas acima de tudo, viver o que Deus tem pra mim. Pra isso acontecer, Ele terá que me ensinar a aprender a ter paciência. Além de mudar, hoje eu também acordei com vontade de aprender! haha
E eu encontrei uma música que fala exatamente o que eu quero, que fala toda a verdade. Mas, muitas vezes a gente não consegue enxergar isso. Espero que essa música fala contigo, assim como falou comigo! Grande beijo!

Há um caminho ainda mais excelente
do que tudo que esse mundo pode oferecer.
Basta olhar através da janela,
e perceber que há muito, muito mais além.  ♪



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pálpebras de neblina



Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.

E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ah o tempo!


Naquela noite eu não consegui dormir. Fiquei pensando em tudo que aconteceu naquele dia. Naquela tarde maravilhosa que passei ao teu lado. Nas mensagens que você me mandava nos minutos que estávamos longe. Eu não conseguia acreditar que eu tinha encontrado você. Mas será mesmo que eu tinha te encontrado ou seria apenas um sonho? 
A gente se conhecia há tão pouco tempo. Lembro muito bem de como eu conheci você. Foi na festa de aniversário da Bia, a minha melhor amiga. Quando te vi naquele lugar me apaixonei. Você estava em uma roda com outros garotos. Estava no centro. No centro das atenções com certeza. Você comandava uma música com seu violão. A sua voz, o seu sorriso, tudo aquilo me encantou. Apesar de querer saber seu nome, seu telefone, seu endereço, do que gostava, qual era seu cantor preferido, se gostava de suco de morango como eu, eu prometi pra mim mesma que não ia correr atrás. Já tinha me decepcionado muitas vezes tentando fazer do meu jeito. Agora tudo seria diferente. 
Fui embora lembrando do seu olhar e o seu sorriso. Te confesso que não consegui dormir direito. No dia seguinte pela manhã me surpreendi com a mensagem. Sim, era da Bia dizendo que você tinha pedido meu telefone. Depois disso não desgrudei do telefone um minuto. Mas você não ligou naquele dia. Fiquei decepcionada. Claro, pensei eu, ele é como os outros. Estava me preparando para dormir quando o telefone toca. Era você. Conversamos tanto, por horas. Não sei de onde surgiu tanto assunto. Só sei que falar contigo era a melhor coisa. E toda a noite eu tinha que falar com você antes de dormir. 
Os dias foram passando, telefonemas aumentando. Almoços de vez em quando. Jantares. Filmes. Mas nada acontecia entre a gente. Só uma amizade linda nasceu entre nós. Eu não estava frustrada quando a isso. Sua amizade era tão essencial pra mim que eu esqueci de todo o resto. 
E aí a gente combinou de fazer um piquinique no parque. O dia estava lindo e o parque deserto. E aí você me surpreendeu com um bom dia diferente do que estou acostumada. Um bom dia com um beijo. Sim, o melhor beijo. E esse beijo foi como um grande elo formado entre nós. Depois disso não nos desgrudamos mais. 
E eu percebi que fiz bem em não ficar preocupada com o que ia acontecer. O tempo foi fazendo o seu papel. E eu tenho certeza que não poderia ter acontecido em momento melhor. E com certeza absoluta, aquilo não era um sonho, era realmente real!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tem certeza que o dia está lindo?


Tem dias que a gente quer dar um tempo em tudo. E hoje foi um dia assim. Um dia que eu não estava com vontade de fazer nada. Nem ao menos levantar da cama. Porém, uma mensagem mudou tudo. Uma mensagem que dizia simplesmente: "levanta, o dia lá fora está tão lindo." Identificação? Nenhuma! Seria um sinal? Não sabia responder naquele momento, mas mesmo assim me levantei. 
É, acho que a mensagem tinha chegado pra pessoa errada. Porque quando eu abri a janela do meu quarto, o dia estava simplesmente horrível. Uma chuva caía lá fora e pelo visto não ia parar tão cedo. Como o dia poderia estar lindo com toda aquela chuva? Tomei café e resolvi assistir um filme. Estava quase dormindo quando outra mensagem chegou pra mim: "não acredito que vai ficar dentro de casa de novo, o dia está lindo!" 
Quem seria essa pessoa? Ela realmente resolveu me perturbar o dia todo! Olhei pela janela e vi que a chuva tinha parado um pouco, mas mesmo assim o dia estava longe de ser lindo. Estava olhando pela janela, vendo aquele dia super cinzento quando ouço o som de uma gaita. Um som diferente, alegre. De onde vinha aquele som? 
Lembrei que perto de casa tem um parque, e que com certeza alguém estava lá com sua gaita. E a cada minuto o som ia fiando mais perto, mais alto, mais bonito. Uma melodia que me trazia paz. Resolvi sair e ir atrás daquele som. Não sabia de onde ele vinha mas eu ia encontrá-lo!
Fui andando sem rumo, sem destino. Só ia parar quando encontrasse aquele som. Cheguei no parque e ele estava completamente deserto. Mas o som continuava. Cada vez mais acelerado. Mais perto. E mais perto. Finalmente tinha encontrado. Atrás da árvore uma pessoa estava tocando a gaita-do-som-alegre. 
Fiquei parada ouvindo aquele som. A pessoa tinha um ânimo para tocar. Não conseguia ver o rosto, mas pela música dava para perceber o quanto ela gostava de fazer aquilo. E de repente, como que para acompanhar a melodia, os pássaros também começaram a cantar. E o dia foi deixando de ser cinza para ficar colorido. Parece que a cada nota da melodia o dia ia nascendo. O sol ia aparecendo, as nuvens indo embora. As flores ganhavam vida, as folhas das árvores ganhavam movimento. Tudo em completa sincronia com a música. 
É, aquelas mensagens não chegaram pra mim por engano. Não descobri quem as mandou, mas o dia realmente estava lindo, só eu não estava conseguindo ver!