quarta-feira, 3 de outubro de 2012

E quase tudo aconteceu



Dias atrás parei pra pensar um pouco na vida. Refletir em tudo o que tem me acontecido. É, o ano já está acabando. De novo. E eu comecei a lembrar de tudo que aconteceu no final do ano passado e no começo desse ano. Lembrei que alguns dos meus sonhos já tinham se realizado, mesmo sem eu lembrar que o que aconteceu era realmente um sonho quando eu era adolescente ou criança. 
Lembrei da alegria de ter visto meu nome na lista de aprovados de uma Universidade Federal esse ano. E no mês seguinte vê-lo novamente na lista de uma Estadual. Lembrei que quando adolescente meu sonho era morar sozinha e em outra cidade. E hoje ele se tornou realidade. Lembrei que sonhava em fazer o que eu realmente gostasse, e hoje eu faço o que eu realmente gosto. Lembrei do medo que eu tinha de não passar no vestibular. Ou melhor, o medo de enfrentar uma prova de vestibular. Enfrentei e venci. 
Ainda tenho medo, angústias, mas aprendi que quando eu confio naquele que me enviou, tudo vai acabar bem e tudo vai dar certo. Foi um ano de vitórias, de acertos, de erros, de alegrias, mas que eu sei que se não fosse Ele pra me ajudar e me orientar em cada passo, nada disse teria acontecido. 
Lembro da direção dEle em cada passo que eu dava na nova cidade. Desde quando eu fui procurar um apartamento até a escolha da pessoa pra morar comigo e mais uma amiga. Lembro da direção dEle quando eu tive que escolher entre ir para a Federal ou para a Estadual. Da direção 
Eu realmente só tenho o que agradecer ao meu Pai. Mesmo eu errando tanto Ele me anima, me aceita de volta, me pega no colo e diz que está tudo bem, que me ama e que nada de mal vai me acontecer. Só agradeço por tudo que tem me ajudado, por me dar coragem pra enfrentar os trabalhos que mais pareciam um bicho de sete cabeças esse ano, ler textos que pareciam estar escritos em grego. Sei que conhecer pessoas que se tornaram minha família também foi um cuidado dEle. 
Eu sei que o ano ainda não acabou e ainda faltam uns meses pra isso, mas me deu muita vontade de escrever esse agradecimento. Um agradecimento que eu vou repetir no último dia do ano, mas claro, acrescentando o que Ele ainda vai fazer nesse restinho de ano. Pai, eu te amo e o meu amor por Ti só aumenta.
Felicidade exalando!

terça-feira, 31 de julho de 2012

As cartas que eu guardei


Resolvi tirar da gaveta todas as cartas que eu não mandei por algum motivo que não quero me lembrar. Quem sabe você ainda lê todas elas com aqueles sentimentos que me disse um dia? Quem sabe você não me perdoa? É, perdoar mesmo, por eu ter sido tão idiota e não ter nos dado uma chance. Quem sabe você não me perdoa por eu não querer nem ter tentado e já ter dito logo um não sem pensar. 
Eu só não queria desistir dos meus sonhos, e se eu tivesse dito sim à você, eles tinham que ficar pra trás. E se isso acontecesse, me sentiria a garota mais frustrada da vida. Desculpe, mas é a verdade. As nossas conversas me faziam bem, e desde que você não falou mais comigo, meus dias não foram os mesmos. Eu sabia que isso ia acontecer, mesmo você dizendo que não. Mas, já que eu não sou de desistir dos meus sonhos, eu preciso te mandar essa carta e tentar realizar mais um. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Promessas


Era uma segunda feira muito fria. O sol estava com preguiça de sair. Mas não tinha problema, ela gostava de segundas feiras, e de frio também. Gostava mais do frio para falar a verdade. Como ficar em casa já estava ficando chato e entediante demais, ela resolveu sair, dar uma volta, ver gente.
Foi ver vitrine, ver coleção nova de roupas e sapatos. Foi ver uma decoração nova pro quarto, pra casa. Quem sabe decorar a vida? Não seria má ideia. E foi quando ela estava viajando vendo na vitrine um quarto planejado que ouviu a voz dele. A voz que não ouvia a um bom tempo. E se virou pra ver se não estava sonhando. Não, ela não estava, porque assim que virou ele deu um super abraço nela. Aquele abraço que só ele sabia dar.
Ele perguntou se ela estava bem, ela respondeu que sim. Ela perguntou se ele estava bem, e ele respondeu que sim. E assim começou a conversa. No meio da calçada, no meio de pessoas que iam e vinham. Ele contou um pouco da sua vida e ela contou um pouco da vida agitada que estava tendo. Os rostos as vezes ficavam sérios por causa de novidades não muito agradáveis, mas as vezes o sorriso voltava pro rosto de cada um. 
Quando o assunto parecia que já tinha acabado, ele disse que ela estava devendo um café pra ele. Ela ficou com vergonha e abaixou a cabeça dando um sorriso sem graça. E pensou: "nossa, ele ainda lembra desse café?". Como se ele lesse seus pensamentos respondeu que "sim, eu ainda lembro que um dia você prometeu que tomaria um café comigo." E ela prometeu (de novo) que tomaria um café com ele, quem sabe até o mês que vem. Ele deu risada e disse "duvido". Ela prometeu de novo e de novo pra ele acreditar. E ele disse que ia esperar.
E depois de uma conversa longa no meio da calçada, atrapalhando a passagem de todas as pessoas que passassem por ali, ele disse que tinha que ir. E ela não gostou disso, mas não demonstrou. Disse "tudo bem", sendo que no fundo tudo o que queria dizer era "ah não, vamos conversar mais. vamos tomar um café agora, o que acha?". Mas agora ela sabia que ele não poderia ir tomar o café. Ela sabia que não poderia cumprir a promessa naquele instante. 
E ele deu o super abraço nela novamente e ela prometeu (de novo) que a próxima vez que eles se encontrassem seria pra tomar o café. E ele sorriu, e disse que tudo bem, ele tinha certeza que esse dia chegaria logo! E ela também sorriu e foi embora, contando os dias pra encontrá-lo novamente!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Wait


Ainda não é você. Por mais que eu ache que é você, não é! Não é e pronto! Eu preciso parar de achar que eu já encontrei quem eu procuro. 
Não encontrei, e talvez ainda demore meses ou anos pra te encontrar. Mas não importa, eu te espero. Onde você estiver, eu te espero. Eu espero a gente trombar na rua ou então você pisar no meu pé e eu gritar de dor e você pedir desculpa. Eu espero. Por mais difícil que seja, eu espero. 

sábado, 17 de março de 2012

Ondas e paz!



Por que o meu problema parece ser tão complicado e estressante e impossível de resolver? Por que eu simplesmente não posso achar um meio simples de resolver tudo? Essas eram as perguntas que vinham na minha cabeça no final de semana. Eu estava na praia com minha família e era pra ser um final de semana sem pensar nos problemas. Mas isso era meio impossível para mim. O que eu mais pensava ultimamente era nos meus problemas.
Uma semana jogada fora no lugar que eu mais amo. Sábado fui dormir prometendo para mim mesma que acordaria cedo no domingo pra aproveitar um pouco, o mínimo que fosse, o tempo que eu ainda tinha na praia. Coloquei meu celular pra despertar bem cedo. Acordei, tomei café e fui caminhar. Aquele lugar, ainda deserto por ser muito cedo, me acalmava. Aquele lugar me trazia uma paz muito grande. Fiquei andando durante muitas horas na beira do mar. O vento batia em meu rosto e eu podia sentir que tudo daria certo, por mais difícil que estava parecendo.
Depois de ter caminhado e corrido um pouco, resolvi me sentar na praia e apenas observar o mar. Observar e ouvir o som das ondas. Estava com os olhos fechados deitada na areia da praia quando ouço um riso de criança. Confesso que sou apaixonada por criança e aquele riso chamou minha atenção. Abri os olhos rapidamente querendo ver quem era o dono daquele riso contagiante. Vi que uma família estava chegando à praia. O casal com o filho. Ele devia ter uns cinco anos. Ele corria e gritava. Acho que era a primeira vez que ele via o mar porque estava muito agitado. Porém, por mais que parecesse que ele queria entrar no mar e sentir as ondas batendo no seu corpo pela primeira vez, ele não queria entrar no mar. O garotinho tinha medo de entrar no mar. As ondas estavam agitadas e percebi que isso o assustou.
Por mais que seu pai dissesse que entraria com ele, que estaria sempre ao seu lado o protegendo das ondas do mar, ele não queria entrar. E eu vi naquela hora que eu me parecia com ele. Que eu também tinha medo. Eu também tinha medo de enfrentar as ondas. Não as do mar, mas as ondas da minha vida. Sim, pra mim elas eram maiores que aquelas do mar, mas eu conseguiria supera-las.
Naquele dia, o melhor dia de toda a semana, eu percebi que preciso confiar mais no meu Pai. Naquele que me deu vida e me ensina todas as coisas. Eu precisava ser como o garotinho, que aos poucos foi perdendo o medo e entrando no mar. E quando ele conseguiu molhar os pés, ele olhou para trás, onde seu pai estava, deu um sorriso e disse: “consegui!”

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quinta diferente

Hoje eu acordei com vontade de mudar. Mudar algumas coisas em minha vida, aperfeiçoar outras. Mas acima de tudo, viver o que Deus tem pra mim. Pra isso acontecer, Ele terá que me ensinar a aprender a ter paciência. Além de mudar, hoje eu também acordei com vontade de aprender! haha
E eu encontrei uma música que fala exatamente o que eu quero, que fala toda a verdade. Mas, muitas vezes a gente não consegue enxergar isso. Espero que essa música fala contigo, assim como falou comigo! Grande beijo!

Há um caminho ainda mais excelente
do que tudo que esse mundo pode oferecer.
Basta olhar através da janela,
e perceber que há muito, muito mais além.  ♪



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pálpebras de neblina



Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.

E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ah o tempo!


Naquela noite eu não consegui dormir. Fiquei pensando em tudo que aconteceu naquele dia. Naquela tarde maravilhosa que passei ao teu lado. Nas mensagens que você me mandava nos minutos que estávamos longe. Eu não conseguia acreditar que eu tinha encontrado você. Mas será mesmo que eu tinha te encontrado ou seria apenas um sonho? 
A gente se conhecia há tão pouco tempo. Lembro muito bem de como eu conheci você. Foi na festa de aniversário da Bia, a minha melhor amiga. Quando te vi naquele lugar me apaixonei. Você estava em uma roda com outros garotos. Estava no centro. No centro das atenções com certeza. Você comandava uma música com seu violão. A sua voz, o seu sorriso, tudo aquilo me encantou. Apesar de querer saber seu nome, seu telefone, seu endereço, do que gostava, qual era seu cantor preferido, se gostava de suco de morango como eu, eu prometi pra mim mesma que não ia correr atrás. Já tinha me decepcionado muitas vezes tentando fazer do meu jeito. Agora tudo seria diferente. 
Fui embora lembrando do seu olhar e o seu sorriso. Te confesso que não consegui dormir direito. No dia seguinte pela manhã me surpreendi com a mensagem. Sim, era da Bia dizendo que você tinha pedido meu telefone. Depois disso não desgrudei do telefone um minuto. Mas você não ligou naquele dia. Fiquei decepcionada. Claro, pensei eu, ele é como os outros. Estava me preparando para dormir quando o telefone toca. Era você. Conversamos tanto, por horas. Não sei de onde surgiu tanto assunto. Só sei que falar contigo era a melhor coisa. E toda a noite eu tinha que falar com você antes de dormir. 
Os dias foram passando, telefonemas aumentando. Almoços de vez em quando. Jantares. Filmes. Mas nada acontecia entre a gente. Só uma amizade linda nasceu entre nós. Eu não estava frustrada quando a isso. Sua amizade era tão essencial pra mim que eu esqueci de todo o resto. 
E aí a gente combinou de fazer um piquinique no parque. O dia estava lindo e o parque deserto. E aí você me surpreendeu com um bom dia diferente do que estou acostumada. Um bom dia com um beijo. Sim, o melhor beijo. E esse beijo foi como um grande elo formado entre nós. Depois disso não nos desgrudamos mais. 
E eu percebi que fiz bem em não ficar preocupada com o que ia acontecer. O tempo foi fazendo o seu papel. E eu tenho certeza que não poderia ter acontecido em momento melhor. E com certeza absoluta, aquilo não era um sonho, era realmente real!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tem certeza que o dia está lindo?


Tem dias que a gente quer dar um tempo em tudo. E hoje foi um dia assim. Um dia que eu não estava com vontade de fazer nada. Nem ao menos levantar da cama. Porém, uma mensagem mudou tudo. Uma mensagem que dizia simplesmente: "levanta, o dia lá fora está tão lindo." Identificação? Nenhuma! Seria um sinal? Não sabia responder naquele momento, mas mesmo assim me levantei. 
É, acho que a mensagem tinha chegado pra pessoa errada. Porque quando eu abri a janela do meu quarto, o dia estava simplesmente horrível. Uma chuva caía lá fora e pelo visto não ia parar tão cedo. Como o dia poderia estar lindo com toda aquela chuva? Tomei café e resolvi assistir um filme. Estava quase dormindo quando outra mensagem chegou pra mim: "não acredito que vai ficar dentro de casa de novo, o dia está lindo!" 
Quem seria essa pessoa? Ela realmente resolveu me perturbar o dia todo! Olhei pela janela e vi que a chuva tinha parado um pouco, mas mesmo assim o dia estava longe de ser lindo. Estava olhando pela janela, vendo aquele dia super cinzento quando ouço o som de uma gaita. Um som diferente, alegre. De onde vinha aquele som? 
Lembrei que perto de casa tem um parque, e que com certeza alguém estava lá com sua gaita. E a cada minuto o som ia fiando mais perto, mais alto, mais bonito. Uma melodia que me trazia paz. Resolvi sair e ir atrás daquele som. Não sabia de onde ele vinha mas eu ia encontrá-lo!
Fui andando sem rumo, sem destino. Só ia parar quando encontrasse aquele som. Cheguei no parque e ele estava completamente deserto. Mas o som continuava. Cada vez mais acelerado. Mais perto. E mais perto. Finalmente tinha encontrado. Atrás da árvore uma pessoa estava tocando a gaita-do-som-alegre. 
Fiquei parada ouvindo aquele som. A pessoa tinha um ânimo para tocar. Não conseguia ver o rosto, mas pela música dava para perceber o quanto ela gostava de fazer aquilo. E de repente, como que para acompanhar a melodia, os pássaros também começaram a cantar. E o dia foi deixando de ser cinza para ficar colorido. Parece que a cada nota da melodia o dia ia nascendo. O sol ia aparecendo, as nuvens indo embora. As flores ganhavam vida, as folhas das árvores ganhavam movimento. Tudo em completa sincronia com a música. 
É, aquelas mensagens não chegaram pra mim por engano. Não descobri quem as mandou, mas o dia realmente estava lindo, só eu não estava conseguindo ver!  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Relaxa, Deus tem um plano


Tomar uma decisão nunca é fácil. Repito, nunca. Mas quando você coloca teus planos nas mãos daquele que tem planos melhores e sonhos maiores que os seus, tudo fica bem. Pode parecer que não, mas é verdade. Ele te entende, o Espírito Santo te conforta e tudo fica bem. Não importa a tempestade de pensamentos e sonhos que passam na sua mente, pode ter certeza que amanhã a calmaria chega e tudo fica bem. Bem não, muito bem!
E enquanto você chora e diz: 'E agora,o que eu faço?', Deus já sabe tudo. Já sabe que você será feliz e terá o melhor. As vezes somos teimosos. Teimosos em sempre, lá no fundo do coração, pensar que o nosso futuro pode sair errado, pode sair mal. Mas não, Deus não é homem pra mentir. Se Ele te prometeu um futuro ótimo, é esse futuro que você terá. 
Medo, aflição, ansiedade, tudo Ele vai tirar de dentro de você se você deixar. Não tenha medo de mais. Relaxa, Deus tem um plano!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eu sei, mas não devia



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fim?


E a sua vida passava pela sua cabeça como pequenos flashes.... E lembrava de tudo que tinha feito, de tudo que tinha sido. Sim, tudo tinha valido a pena. Porém ela só desejava que não tivesse tido um fim!